O Culpado


7223Já faz um tempão (um tempão mesmo!) que eu tinha o filme “O Culpado” em casa. E desde então, tenho curiosidade de assistir. Por algum motivo inexplicável, a oportunidade nunca vinha.... Até que ontem lacei o filme e prometi que não saia da frente da TV enquanto não terminasse de ver até a última letrinha dos créditos finais! E assim o fiz....


Não é assim um filmão, arrasa-quarteirão... É algo mais “supercine num sábado à noite de outono”... Mas a trama entra para os melhores do suspense policial, sem sombra de dúvida. Pena que não teve o merecido destaque entre as distribuidoras.

Tudo começa quando o jovem Nathan sai da cadeia após cumprir 6 meses por roubo de carro e acaba descobrindo que seu pai biológico é um importante advogado, Callum Crane. Nathan decide sair em busca do pai, e enquanto isso Crane seduz a mais nova secretária do escritório e acaba estuprando a moça, que logo em seguida é demitida (por influência de Crane). Pouco tempo depois Crane conquista o tão desejado cargo de Juiz Federal, e Sophie passa a chantageá-lo para que desista do cargo ou então ela o acusaria pelo estupro. Encurralado, Crane procura desesperadamente uma saída, e acaba por encontrar quando é salvo de um assalto por Nathan, e sem saber que o garoto é seu filho, contrata Nathan para que dê um fim em Sophie. Nathan volta para casa perturbado e acaba não abrindo o envelope com a foto da vítima, que, como teia pouca é bobagem, ele coincidentemente conhecia por intermédio de Tanya, que bateu em seu carro na noite em que ele foi procurar pelo pai. Seu amigo Leo, que está enrolado com um gangster, não pensa duas vezes e toma posse do envelope para executar o serviço, e apesar de Dennis, o outro amigo da dupla, avisar Nathan, ele não consegue salvar Sophie. E enquanto tudo isso acontece, a mulher de Crane está tendo um caso com um amigo do casal. Crane descobre e cria uma grande trama pra lá de maligna para incriminar o amante da esposa pelo estupro e assassinato de Sophie. Mas ele não contava com um deslize seu e a astúcia de sua ex.....

O longa é eletrizante, cheio de reviravoltas a cada frame. E bem próximo da realidade.... A gente é capaz até de visualizar alguns correspondentes da ficção no mundo real.

Sophie dá a maior trela para o advogado, provavelmente imaginando conseguir uma promoção mais rápida, e depois, na hora do ‘vamos-ver’, pula fora.... Claro que isso não justifica o estupro de Crane, mas se ela não estivesse tão bêbada, talvez tivesse sido mais fácil se defender e relutar um pouco. Fora as saias um tanto convidativas que ela usava, mas enfim... Depois, mesmo percebendo que a amiga Tanya está interessada em Nathan, ela dá corda para o moço...

Nathan, por sua vez, é o tipo garoto-problema-que-tem-salvação. A má influência de Leo é um determinante, mas a gente nota que ainda resta alguma esperança quando Nathan discorda de algumas atitudes de Leo e quando recusa o serviço pelo qual o pai o contratou. No fim, todo o sufoco passado para tentar conhecer o verdadeiro pai talvez o tenha colocado de volta nos trilhos (o que nos faz refletir sobre aquela velha discussão de que nem sempre pode ser aquela sonhada realização conhecer o pai biológico e mexer em algumas feridas que deveriam permanecer adormecidas, etc e tal...). Outro aspecto que mostra uma inocência lá no fundo é o seu problema com garotas, que nada mais é do que um sinal de insegurança de quem ainda é uma criança com muito a aprender sobre a vida. E tinha que ser assim mesmo, porque Devon Sawa, apesar de crescidinho, não conseguiu ainda se desvincular do ar de bom-moço...

Crane é um cafajeste cinco estrelas. Tudo que existir em vocabulário negativo de caracterização pode ser atribuído a ele. Isso fica claro no início do filme, quando ele prepara a encenação ‘luminosa’ conseguir ganhar o caso de sua cliente. O cara não tem qualquer noção de limites ou escrúpulos.... Foi até de se estranhar que ele não tenha tentado matar o filho, que sabia demais e também poderia arruinar sua carreira de Juiz. Bill Pullman está simplesmente perfeito no papel. Sua representação é icônica. Aliás, ele é mais um dos belos talentos não tão bem reconhecidos de Hollywood, conseguindo convencer do inocente romântico (Enquanto Você Dormia, Gasparzinho,) ao impiedoso sanguinário (papel que também repete muito bem no inquietante Sob Controle, ao lado de Julia Ormond).

Mas o melhor de tudo é, sem dúvida alguma, os 10 segundos finais, quando o império de Crane desaba com a ligação da mulher.... Só essa cena já faz valer o longa inteiro! O fim não poderia ter sido melhor.... A espera sem fim por conferir o longa valeu a pena!
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A loucura é uma ilha perdida no oceano da razão.
(Machado de Assis)
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