Um Olhar do Paraíso

Singelo e tocante. Talvez essas sejam as melhores palavras para definir "Um Olhar do Paraíso"...

Não é um filme surpreendente por seu conteúdo, até porque ele já entrega todas as cartas de bandeja no trailer, sem deixar nenhum segredo ou suspense. De cara, o assassino é revelado e a história fica às claras, límpida como água cristalina.

Sobre o que, então, é "Um Olhar do Paraíso"? Sobre a vida e a morte. Sobre acompanhar a trajetória de Susie Salmon em busca de seu caminho, de sua liberdade e paz eterna.

Peter Jackson criou cenários exuberantes para o mundo perfeito de Susie, mas pecou um pouco ao não entregar para o espectador aquele algo a mais que a gente espera de um filme quando seu trailer já é tão revelador. Aí, quem segurou as pontas mesmo e garantiu o ponto alto do longa foram as atuações de peso: Stanley Tucci, encarnando com perfeição o assassino obssessivo e doentio, com direito a todos os trejeitos que o diferenciaram de tudo que ele já fez na carreira (e bem longe do latino falsificado e hilariante de "Dança Comigo"); Susan Sarandon, sempre belíssima e entregue de corpo e alma aos seus papéis, dando vida à avó maluquete , mas que põe a família nos eixos quando tudo começa a desabar; Rachel Weiz, que acabou ficando mais como coadjuvante secundária como a mãe amargurada com a morte de Susie; e Mark Wahlberg, que depois de um longo caminho (lembra do início de carreira, quando ele despontou ao lado de uma Reese Whiterspoon ainda desconhecida no eletrizante thriller "Medo") pode se dar ao luxo de escolher a dedo os projetos em que deseja trabalhar, e esteve incólume como o pai justiceiro de Susie, que não descansa enquanto não vê a morte de sua filha vingada. Destaque para Rose McIver, Lindsey Salmon, a irmã de Susie, que de figurante vai à peça-chave da trama com louvável apresentação, enquanto a própria Susie (Saoirse Ronan, muito bem na fita) acaba se tornando narradora passiva de sua própria história, sem poder fazer nada enquanto vê a vida das pessoas que ama se transformando em uma tempestade de emoções.

Passadas quase duas horas de filme, "Um Olhar do Paraíso" te faz refletir sobre vida e morte, sobre o que há do outro lado da vida e sobre como as pessoas morrem sem, muitas vezes, pagar pelos crimes que cometeram. Ou ainda sobre como a morte de alguém pode abalar e desestruturar toda uma família e sobre o drama de como cada um lida com a morte (seja ela a própria ou do próximo).

É uma viagem reflexiva e interessante sobre viver e morrer (ou se deixar morrer), e nos faz pensar sobre nossos assuntos inacabados. Está longe de ser um dos grandes filmes de Peter Jackson, mas para uma sessão de quarta-feira ao lado dos amigos, em agradável companhia, pode ser uma boa pedida.

Em tempo: Se a tradução do filme tivesse sido literal (The Lovely Bones, algo como "Restos Angelicais"), o significado da trama teria feito bem mais sentido ao espectador brasileiro, sem deixar algumas pontas soltas....
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(Machado de Assis)
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