Cavalo de Guerra

imageA premissa é básica: quando um filme junta seres humanos e algum tipo de animal em uma relação de amizade e companheirismo, vai dar emoção na certa!

Cavalo de Guerra não foge à regra. Levando em conta que tem o dedo de Spielberg então, pronto! Pode preparar uma caixa de lenço de papel para duas horas e meia em frente à tela…

Antes de se aventurar basta se lembrar do que Spielberg já causou em sua vida: você se acabou de chorar ao ver ET quando era criança? Se sensibilizou com A Lista de Schindler? Quis carregar Tom Hanks no colo em O Terminal? Então sim, prepare o lenço mesmo. E muito chocolate para confortar….

Como se a mistura gente - bicho de estimação não bastasse, Spielberg coloca uma dose extra de drama com situações inimagináveis que tornam o longa uma história tão adorável quanto um daqueles livros que você devora sem perceber! Duas hora e meia? Passam voando! É bem verdade que o apelo funciona muito mais para os espectadores que são mais ligados à seus bichinhos de estimação. O restante pode achar um exagero emocional.

E a história já começa promissora. Se for ver o filme no cinema, antes dos créditos iniciais surgirem você vai ter quase certeza que tem um pássaro na sala de exibição. Esse som é apenas o prenúncio de uma sequencia de paisagens inesquecíveis e indescritíveis que marcam o cenário da história na Inglaterra. Aviso: algumas tomadas podem tirar seu fôlego. Outras podem te fazer mudar o destino de férias definitivamente. E outras ainda podem te fazer repensar completamente sua vida (belíssimo trabalho de fotografia da produção, coroados com um por-do-sol e enquadramento únicos no encerramento do filme).

É nesse contexto que Albert (interpretado – bem! – pelo estreante Jeremy Irvine) e Joey (o cavalo) são apresentados ao público. Apesar de se conhecerem, ainda não sabem que o destino lhes reserva uma história e tanto. É em uma aposta com o senhorio da fazendo que o pai de Albert compra Joey para arar o campo. Cabe ao garoto então a difícil tarefa de treinar o cavalo para que a família não perca a fazenda. Nesse meio, é a mãe do garoto (Emily Watson) que segura as pontas e mantém tudo no trilho. E começa então a avalanche de problemas e dramas sem fim….

O pai de Albert é um veterano de guerra que traz em sua perna os resquícios da violência e desconto da bebida lembranças que prefere apagar. Por essas e outras, não consegue impor qualquer respeito ao senhorio da fazenda ou seus conhecidos. E quando ninguém mais acredita que Albert conseguirá treinar Joey, a chuva salva o dia! Campo arado, nabos plantados, colheita quase pronta para ser feita. Lá vem a chuva outra vez e destrói tudo!

Resultado: o pai de Albert vende Joey em troca de dinheiro para salvar a fazenda para o exército, que está se preparando para a Primeira Guerra Mundial. Albert tenta impedi-lo, mas tudo que consegue é uma promessa do Capitão de que cuidará bem do cavalo e o devolverá a Albert quando a guerra terminar. Nesse dia Joey torna-se um Cavalo de Guerra. E como poucos.

O que vem a seguir é uma jornada de sobrevivência que nos apresenta diferentes personagens capazes de nos fazer amá-los ou odiá-los. Todos sempre ligados à Joey de alguma maneira. E todos os personagens típicos estão lá: o amigo bobalhão, o esnobe, a bela garota, o cara legal da guerra, o cara malvado, mortes, separações, reencontros enfim…. Não falta nada e ninguém…

Albert voltará a cruzar seu caminho com Joey cerca de quatro anos depois, lutando pela Inglaterra na guerra. Nessa altura o espectador começa a ficar na pontinha da poltrona quando vê que eles passam ao lado um do outro sem saberem. Mas quando o reencontro acontece, até mesmo o batalhão e Albert se sensibiliza com a história.

Agora, sem a menor sombra de dúvida, o melhor momento do filme fica por conta do resgate de Joey, quando soldados ingleses e alemães se unem para livrar o pobrezinho de uma montanha de arame farpado. Excelente cena! Uma daquelas passagens que evoca o verdadeiro espírito de uma guerra: milhares de soldados brigando por um ideal maior, no qual muitas vezes não vêem qualquer sentido, e dividindo as mesmas angústias e sentimentos. Melhor metáfora impossível! Fora que a cena é impagável…. Já vale o longa.

Mas, claro, sofrimento pouco é bobagem, e depois disso Joey ainda passa por mais alguns desafios até poder, finalmente, ficar com Albert. Por fim, depois de acabar com a caixa de lenços de papel, a parte boa é que eles ficam juntos e nenhum dos dois morre no final do filme! Também pudera, seria muita sacanagem para um filme só, né Spielberg...

Belo, tocante, puramente emocional. Vale o ingresso.

 

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(Machado de Assis)
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