O Canto da Sereia

1356025379-O Canto da Sereia ok_HDE então o canto da Sereia silenciou….

Dividida em quatro episódios, a série global exibida na última semana surpreendeu e mostrou que o Brasil pode dar bons frutos no futuro para o gênero! Mas ainda temos chão para chegar perto da proeza americana de produzir seriados. A “alma” do brasileira ainda é da novela…

Inspirada na obra de Nelson Motta, O Canto da Serie reúne mistério, suspense e romance em uma trama que mostra a ascensão e morte de uma cantora baiana no auge de sua carreira. E entre as melhores sacadas da produção está a narrativa não linear da série, que abre margem para o espectador viajar na trama e no perfil de cada personagem enquanto tenta descobrir quem é o assassino.

Para os fãs de suspense policial ( \o/ ) o primeiro capítulo começou bem, apresentando a morte de Sereia (Ísis Valverde em uma escolha duvidosa) já nos primeiros 10 minutos da série e com uma pegada confusa para todos os personagens. Ninguém escapava da culpa: a amiga-namorada-assessora-babá-empresária Mara (Camila Morgado), o marqueteiro que “mama nas tetas do governo” Tuta Tavares (Marcelo Medici), o governador do estado Doutor Jotabê (Marcos Caruso – igualzinho algumas referências políticas que conhecemos bem), o ex-namorado Paulinho de Jesus(Gabriel Beaga Nunes), a não menos suspeita Mãe Marina (Fabiula Nascimento) e o amigo e fã obcecado pela cantora Só Love (João Miguel). Mas logo de cara já era possível descartar o governador. Aquela balançadinha da cabeça como se fosse uma “ordem para eliminar” logo após a briga com Sereia já deixava claro que não poderia ser o tal, do contrário o óbvio detonaria o fim da saga logo no princípio.

De fora mesmo só ficou o chefe de segurança da cantora, Augustão (Marcos Palmeiras – que, dedicado, engordou 8 kg para o papel!), que estava ao lado de Sereia no momento de sua morte e assumiu para si a investigação do crime. A partir daí ele é conduzido por uma trama de revelações e surpresas muito mais sobre a vida de Sereia do que de seus possíveis assassinos. E o que vemos é o típico quadro de celebridades surgidas do nada: garota com o sonho de viver da música tem o destino traçado para o sucesso, conhece produtor musical com quem vive um tórrido romance, conquista o estrelato, o abandona por diversos outros casos e, quando sua carreira está no topo, descobre o drama que a destruiria. Só que dessa vez o drama não era um problema familiar ou uma nova concorrente, e sim um tumor no cérebro.

Sereia era apaixonada por seu sucesso, e um tumor seria o declínio de todos os seus planos. Resistente ao declínio, a cantora decide morrer como uma estrela, única e marcante, em pleno carnaval. E pede em segredo ao amigo Só Love que a mate em sua última apresentação sobre o trio elétrico. O pedido é mais uma súplica para libertá-la de uma vida minguante e melancólica com o peso da doença e o medo do que ela mais poderia lhe trazer.

A verdade é que Ísis se saiu bem, como atriz e como cantora. Para mim, não conseguiu dar o peso que a personagem merecia. O que nem assim tirou o mérito da série. Ponto positivo para João Miguel, que convenceu como Só Love e mesmo tendo sido a minha pulga atrás na orelha desde o primeiro capítulo, segurou bem o mistério e tornou impossível que o público o odiasse pelo crime, que nada mais foi do que “um ato de amor maior do que o amor que sentia por si mesmo”.

Resultado da ópera: uma obra competente, que agraciou o público brasileiro com uma produção caprichada e mostrou que tem mais a oferecer só que as novelas. O mérito, além do elenco, é de uma equipe criativa de peso, com José Luiz Villamarim, Gloria Perez e Walter Carvalho entre os responsáveis. A trupe conseguiu sair do lugar comum e transformou a Salvador clichê em um cenário diferenciado. Faltou só explorar um pouco mais a veia dos personagens, mas entende-se que em quatro capítulos de meia hora (nada mais que um filme de 2 horinhas) fica um pouco mais complicado).

Agora é torcer para a qualidade continuar a subir nas produções nacionais, que promete também fazer barulho nos cinemas em 2013…

Em tempo: o fato curioso do seriado foi a ousadia de mostrar a morte de uma cantora de axé em cima do trio em um momento de pleno pré-carnaval brasileiro. Vai que um louco resolve se inspirar na cena para movimentar o carnaval baiano??!! E aí??!!! Eu, hein…

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(Machado de Assis)
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