Sobre quando você perde o tesão...

Eu sempre digo: faça tudo com amor! Não importa se é a sua profissão, o almoço de amanhã ou uma partida de futebol... Quando você faz com amor, tudo fica mais fácil, leve e o resultado é acima do esperado. Embora nem sempre nossa vontade seja correspondente à de uma tarefa, fazê-la com amor poupa as mazelas e facilita vencer barreiras pelo caminho... Mas tem um ponto crucial sobre quando você faz as coisas com amor: algumas vezes você encontra barreiras mais difíceis de serem superadas do que você imaginava.

Essas barreiras são quase como paredões, muralhas ou montanhas. Algumas podem até parecer o Monte Everest, e enquanto alguns alpinistas o escalam com sucesso dependendo não apenas de suas habilidades mas também das condições climáticas, outros não sobrevivem. E na vida também é assim...

Aí o papo vira algo sobre quando você perde o tesão pelas coisas...

Por mais amor que você coloque no que faz, por mais resiliente que seja, depois de tentar repetidamente algumas coisas e não conseguir que as condições ajudem - sejam essas condições o clima, o mercado, a economia ou a mais complicada de todas: pessoas! - chega um momento em que você percebe que está dando murro em ponta de faca, batendo cabeça contra uma rocha que nem milhares de anos poderão desgastar. Aí o tesão vai embora, a vontade de continuar lutando por aquilo começa a enfraquecer e, quando você percebe, o que antes era feito com amor começa a se tornar uma espécie de martírio.

Não porque você não o quer fazer, pois você ainda faz com amor (se você gosta do que faz, é intrínseco, mais forte que você)! Na verdade o que te incomoda e desanima é saber que depois aquilo tudo pelo que você lutou e que trouxe resultados acima do esperado será desconstruído em troca de coisas banais e resultados inferiores aos que você proporcionou. E aí "todo desgaste da escalada realmente valerá a pena?", você se pergunta. Mas para essa questão não há uma resposta simples...

Eu não estou falando sobre não aceitar mudanças ou desistir no primeiro problema. O ser humano deve ser naturalmente preparado para as mudanças constantes que o mundo nos proporciona se quiser sobreviver. Qualquer um que já ouviu falar sobre Darwin sabe disso. E a máxima vale para tudo: seleção natural da vida, do mercado, do amor, da economia, enfim. A mudança, quando bem aceita e incorporada, é sempre positiva! Se planejada então, melhor ainda!

O que incomoda são as mudanças erradas de curso. É como saber que há um iceberg em sua frente e insistir em não mudar o curso do navio simplesmente porque você quer provar que a estrutura do seu barco é melhor que a do Titanic. Algumas coisas são fadadas ao fracasso antes mesmo de nascer, porque não contam com uma estrutura sólida e capaz, preparada e planejada. Ou mesmo que você não tenha planejamento algum, se tiver um pensamento claro e visão periférica (SIM! É muito importante pensar no todo e também nos outros, não apenas em você), as coisas vão se encaminhar bem. Mas insistir em ir na direção do iceberg???

Sabe o que acontece depois? Seu navio naufraga, mas você acreditava tão fortemente que ele era indestrutível e muito mais forte que o Titanic que achou desnecessário investir em equipamentos de segurança no mar. E aí toda sua tripulação começa a entrar em pânico, pular em mar aberto de encontro ao desconhecido e brigar pelos poucos botes salva-vidas que ainda restam no convés, alguns deles furados. E você começa a perceber que seu mundo pode não ser tão perfeito quanto imaginava simplesmente porque você não quis ouvir o engenheiro do projeto que era mais cauteloso quando tudo isso começou.

Pois assim é na vida e no mercado. Algumas vezes você pode levar alguns anos construindo projetos que encontram pessoas dispostas a agregar com mudanças positivas. E outras vezes você pode encontrar desconstrutores, que acabam com os resultados que você conquistou e trazem mudanças que não agregam nada de positivo aos objetivos da organização.

Sim, é triste e desolador assistir isso quando acontece, principalmente porque na maior parte das vezes você é impotente e nada pode fazer em relação à situação (se pudesse, certamente já o teria feito!). Dói tanto quanto ver um filho adoecer por não ter ouvido sobre levar a blusa na noite anterior. Mas aí você lembra que filhos são feitos para o mundo e você precisa deixá-los crescer sozinhos.

Alguns vão aprender com os primeiros erros e voltar ao caminho certo. E se você esperar, verá a chama reacender e o tesão voltar. Outros precisarão de mais tentativas até compreender como o mundo gira. E você pode ser muito paciente ou nem tanto assim. E outros não aprenderão nunca. Aí você só poderá escolher entre ficar sentado assistindo isso calado e sofregamente, ou sair em busca de novos horizontes em que possa voltar a construir coisas positivas.

Ninguém é insubstituível, o mundo não para porque você dormiu uma hora a mais e a empresa não fatura menos se você não for trabalhar. Mesmo que coloquem no seu lugar uma pessoa com menos habilidade e competência, de alguma forma ela vai suprir as necessidades da organização e tudo vai continuar rodando normalmente, sem abalos sísmicos no Japão e nem nada do tipo. A vida continua, sempre.

Faz parte do ciclo e pode ser que você vivencie isso uma ou muitas vezes em sua vida. Por isso esteja preparado e não fique sentado esperando a mudança do outro. Se você quer mudanças, é somente você quem deve agir, buscando sempre pensar também em quem está ao seu redor. E se não pensarem em você, não se revolte, apenas mude seu rumo e direcione o seu barco. Enquanto outros batem no iceberg, lembre-se que uma simples mudança estratégica de rota pode ser a salvação de toda uma tripulação...


2 comentários:

Anônimo 19 de novembro de 2015 00:35  

Que força de expressão, como você consegue colocar bem as palavras e os sentimentos numa mensagem. Isso demonstra que o tesão pela comunicação nunca cessará, mesmo que o mundo corporativo não reconheça isso tenha certeza que sempre haverá leitores que irão apreciar a tua forma única de se expressar! Um amigo.

Letícia Spinardi 19 de novembro de 2015 11:12  

Obrigada, amigo :)

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