Spotify, eu te amo!

O Spotify começou a liberar para seus usuários o tradicional flashback anual com todos os dados musicais de cada pessoinha que usou o app ao longo do ano. Músicas mais ouvidas, artistas, playlists, frequência semanal... Mas a melhor parte: a playlist especial "Your Top Songs 2016". 

Mais do que um remember, é a possibilidade de você reviver cada momento especial ou marcante de sua vida no ano que está acabando...
Ah, mas música não é lembrança... É sim! Toda música que você ouve repetidas vezes tem, de alguma maneira, um significado especial para você. Seja porque te faz bem, te deixa pra cima, te lembra alguém, te recorda um momento, não importa. Você não passa pela mesma música repetidamente só por passar. É porque gosta dela e faz sentido ouvir várias e várias vezes. E se você for um ouvinte minimamente regular, se o Spotify colocou uma música na lista resumida pra você entre um universo inteiro de canções que você ouviu em quase 365 dias, acredite: ela é sim especial de algum modo.

Eu já disse algumas vezes que pra mim a música é uma espécie de combustível para a vida. Ela embala nossos momentos, nossos sentimentos e muitas vezes nossas mais profundas, intensas e importantes reflexões. E ter a oportunidade de chegar em mais um período típico de reflexão anual com uma ajudinha sonora para relembrar tudo que aconteceu ao longo de 2016 é como ter a oportunidade de vivenciar mais uma vez tudo que foi mais relevante para sua vida no ano que passou, as lições aprendidas (e erros e decepções também valem!), conquistas alcançadas e sonhos realizados.

Você pode então dizer que o Instagram e o Facebook também fazem isso.. Sim, eles fazem. Mas existe um ponto aqui que faz toda diferença: enquanto Insta e Face elencam suas fotos mais curtidas pelos outros, o Spotify elenca as músicas mais ouvidas por VOCÊ! É o seu ponto de vista sobre o seu ano e o seu mundo, não o de outras pessoas (e quem trabalha com marketing sabe bem que curtidas nas redes sociais muitas vezes só fazem bem para o ego e a imagem corporativa e não necessariamente representam o sucesso do seu negócio). 

Isso torna a reflexão muito mais profunda, pois não é apenas sobre o que aconteceu em sua vida, mas o que aconteceu com você! A música está muito ligada aos nossos pensamentos e sentimentos mais profundos e é capaz de despertar até mesmo aqueles detalhes adormecidos ou silenciosos.

Percebi isso hoje, mais uma vez, ouvindo Defying Gravity (que escutei incessantemente depois de assistir The Wicked). Não tinha me tocado, até este momento, que não era só a melodia ou a beleza da letra e composição que me atraíam, mas que a simbologia tinha muito a ver com o meu momento pessoal. Afinal, era só a música de uma trilha sonora... E de uma peça teatral ainda! Pra que ouvir tantas e tantas vezes assim?... Mas ao ouvir novamente algumas canções depois de passar algum tempo longe delas você percebe que elas traduzem muito mais do que um momento...

E tem realmente muito a ver, já que 2016 foi mesmo um ano de desafiar a gravidade. Aquela que me cerca e a que estava dentro de mim. Mais do que um ano de grandes conquistas pessoais, foi um ano de transformação pessoal, de libertação, de passar por um novo ciclo de amadurecimento, mudar posturas e ter a oportunidade de retomar velhos hábitos há tanto tempo perdidos e que me eram tão valiosos, de pensar além da linha que demarca o horizonte e entender que é preciso deixar a vida acontecer. E que ela pode acontecer de maneiras muito mais espetaculares do que desejamos, mesmo que estando dentro do olho do furacão não sejamos capazes de enxergar isso.

A vida nunca será simples. Se fosse, não teria a menor graça e os grandes momentos perderiam o sentido. Algumas vezes vamos sofrer, vai machucar, parece que não vai cicatrizar nunca. Mas cicatriza, e as cicatrizes que não desaparecem são as nossas melhores lembranças sobre o que aprendemos e como crescemos, pra não cometermos mais os mesmos erros e enxergar que há sempre uma outra saída logo a frente. E se não há saída, então é porque precisamos aprender a enfrentar. E algumas batalhas é preciso enfrentar sozinho. A solidão dói, fere como ferro em brasa e causa um vazio claustrofóbico que parece impossível de existir. E então você aprende que essa é a melhor maneira de mergulhar nos sentimentos mais profundos e obscuros para aprender a lidar com eles. E você sai de lá mais forte, mais preparado para lidar com o que vier pela frente. E descobre que todos sobrevivemos às tempestades pelo caminho. E que o sol no dia seguinte tem um sabor mais doce e quente, que acalenta um pouco mais do seu coração frio e machucado. E você passa a olhar para o lado e descobre problemas muito maiores em outras realidades que não a sua. E que se você se dedicar um pouco em ajudar com o que está ao seu alcance você ocupa seu tempo de uma maneira muito mais positiva do que sofrendo. E muda completamente sua visão sobre a vida. Que nunca, jamais será simples. Porque essa é a graça da coisa toda...

E chega de reflexão pública porque o resto é só pra mim! rs

Obrigada, Spotify! Por fazer meu fim de ano mais simbólico, embalado pela lembrança de momentos tão importantes e pequenas memórias que vou poder reviver em cada nova oportunidade apenas apertando o play =)

E que venha 2017 para uma nova coleção de músicas, memórias e grandes histórias!



Em tempo...

Comecei a escrever esse texto ao som de Not Today, quase como encerrando um ciclo sabendo que, algumas vezes, nem tudo pode ser conquistado, e terminei com Can't Stop The Feeling, que tem tudo a ver com o clima que deveríamos começar novos ciclos, novos anos e novos desafios: pra cima, esperançosos e com energia positiva total para fazer acontecer! Porque só depende da gente, não é mesmo...

E depois vem falar que música não tem nada a ver com pensamentos e sentimentos?! Ah tem, viu...

Bom, beijos e fui! Tem 101 canções aqui pra eu ouvir ;)

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A loucura é uma ilha perdida no oceano da razão.
(Machado de Assis)
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